As competências observação e perceção estão intimamente relacionadas. Na linguagem coloquial, ambos termos: observação e perceção são frequentemente utilizados em substituição um do outro. Contudo, na prática, estes conceitos diferem ligeiramente um do outro. A chave para os compreender está no conceito de reflexão, que pode ser entendido sob duas formas:

  1. observação – um comentário formulado com base na observação de fatos,
  2. perceção – captação de um fenómeno, impressões ou informações como resultado da ação de um estímulo externo sobre os sentidos.

A Observação pode ser entendida, entre outros, como uma atividade ou o seu efeito. No primeiro caso significa olhar para algo/alguém por um motivo específico; ou um ato ou momento de observação de um costume, regra ou lei. No Segundo caso – efeito de uma atividade, implicará uma reflexão como consequência da observação. De forma resumida, a observação é uma atividade central que leva à formulação de um cálculo, resultado ou conclusão. Tudo o que é alcançado desta forma, requer um conjunto de processos de raciocínio – a chamada perceção.

A Perceção é, portanto, o primeiro passo do processamento da informação, onde a informação é recebida pelo sistema nervoso sensorial. Graças ao fenómeno da mente humana, a informação encontra-se presente no aparelho perceptório humano, pode ser identificada e descrita por este.

A perceção é, também, associada à organização e ordenação de impressões sensoriais recebidas, de tal forma que não constituem experiências caóticas, mas simplificam o nosso entendimento do que nos rodeia. Assim, a chave está na consciência e na reação consciente do sistema nervoso sensorial. A consciência é definida como o conhecimento e o entendimento de que algo está a acontecer ou existe. É um elemento importante que permite compreender o significado dos estímulos que afetam os seres humanos.

A perceção encontra-se entre as funções cognitivas básicas e inclui processos responsáveis pela receção de estímulos do mundo exterior através de todo o tipo de recetores. Neste processo, podem ser distinguidas duas fases: a primeira está relacionada com a receção de estímulos de forma passiva (sem qualquer interpretação) e a segunda está relacionada com a atribuição de um significado a um estímulo (usando o conhecimento e o contexto no qual o estímulo surge). Pode afirmar-se que a perceção dos estímulos é seletiva, isto é, é dependente de experiências passadas, história de vida, necessidades e objetivos atuais.

Na perceção, os sentidos humanos desempenham um papel decisivo, precisamente nas atividades com as quais estão relacionados, permitindo a formulação de conclusões. Assim, considerando a importância dos sentidos no processo de observação e perceção, vale a pena dedicar-lhes alguma atenção.